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SOFRIMENTO SILENCIOSO - MISSIONáRIA ANA PAULA OLIVEIRA NDIAYE - SENEGAL – ÁFRICA. - 26/12/2009

SOFRIMENTO SILENCIOSO.
Missionária Ana Paula Oliveira Ndiaye - Senegal – África.
 
(MGF) Mutilação genital feminina.


A mutilação genital feminina, que consiste na remoção do clitóris (em alguns casos os pequenos e grandes lábios da vagina também são retirados), ainda é praticada em 28 países africanos. Esta tradição prevalece não só nos países muçulmanos, mas também é aceita entre culturas cristãs.
A mutilação genital feminina (MGF) é respeitada entre as comunidades africanas por ser o principal ritual de passagem da infância para a maturidade. Entre as comunidades que aceitam esta prática, acredita-se que por meio da (MGF) as meninas irão conservar a virgindade, garantindo assim um bom casamento. A prática também pretende conter os desejos sexuais das adolescentes e ainda conferir uma estética mais aceitável à genitália feminina. As garotas que são circuncidadas recebem o respeito dos adultos e a admiração dos mais novos.
Pesquisas recentes mostram que os danos causados por essa prática têm contribuído para o alto índice de depressão, hemorragias e problemas urinários. Problemas na gravidez e parto, são também muito comuns entre as mulheres circuncidadas. Para entender os inúmeros casos de "estragos" causados pela (MGF) (especialmente casos de fístula) a Visão Mundial inaugurou um hospital que atende exclusivamente mulheres/meninas na Etiópia. A instituição é a única no mundo voltada em solucionar casos específicos de fístula - atendendo mais de mil pacientes por ano, a grande maioria mulheres, que não sabem onde e como procurar ajuda.
SOFRIMENTO SILENCIOSO
As mulheres africanas têm sofrido heroicamente em silêncio. Muitos tabus ainda prevalecem. Humu Laminu, 12 anos, uma garota de Ganda, sustentada pela Visão Mundial, explica como aprendeu na escola a importância da (MGF): "Nós aprendemos na makaranta (escola islâmica) que Deus não irá ouvir nossas preces se não formos circuncidadas."
Humu conta que em sua comunidade as garotas são convencidas da importância da circuncisão através de crenças e superstições, como: "Você nunca achará um marido", ou: "Se você não for circuncidada terá um parto complicado e o bebê poderá morrer".
Encurraladas numa teia de superstições e tradições milenares, garotas africanas são submetidas a uma vida de angústia e dor. A Visão Mundial e outras organizações lutam pela abolição de práticas bárbaras como a (MGF) e o casamento precoce. O alvo é conscientizar os governantes, líderes religiosos e educadores para os horrores de tradições e crenças que desrespeitem a vida humana, especialmente aquelas que ferem os direitos de quem não tem voz para gritar: "a criança".
CASAMENTO DE CRIANÇAS
Outra causa abraçada pela Visão Mundial é a luta contra o casamento precoce que tem colocado em risco a vida de milhares de adolescentes. Na África, 44% das mulheres se casam entre 10 e 19 anos, muitas vezes antes mesmo da primeira menstruação. Em vários países, as meninas ficam noivas aos nove anos de idade e muitas se casam assim que entram na puberdade. As conseqüências são sempre desastrosas e revelam uma cadeia de sofrimento que muitas vezes leva à morte.
Na maioria das vezes, a menina não está psicologicamente preparada para o casamento e muitas vezes abandonam o marido para viver nas ruas onde acaba por se prostituir, uma vez que não há trabalho para menores sem qualificação. Além disso, a gestação em crianças com menos de 15 anos, sempre é de alto risco para ambos (bebê e mãe), é um fato conhecido nas províncias onde o casamento precoce é aceito. Trabalhos de parto complicados, hemorragias, infecções e anemia sempre levam as garotas, a sofrimentos e traumas desnecessários, prejudicando para sempre sua vida adulta.
Diariamente, seis mil mulheres são "circuncidadas" ao redor do mundo
Os motivos que levam os pais de familia a aceitarem essa prática são muitos, e extremamente complexos. Em primeiro lugar, por causa da pobreza nas áreas rurais, muitos pais preferem dar suas filhas ainda crianças, em casamento. Eles terão uma boca a menos para alimentar.
Outra razão seria proteger a virgindade da menina antes do casamento, para garantir a honra da família. Uma menina que perde a virgindade é deserdada da família, pois a virgindade da mulher é sinal de amor e confiança para o marido. Em Massai (África), se uma menina solteira estiver grávida, a tradição manda que seja morta com lança pelo pai ou irmão.
Fonte Visão Mundial Brasil
 
A história de Humu Lami
Um dia, quando Humu tinha apenas sete anos, escutou que sua avó, Alimatu Abbas, a chamava, pedindo que esfregasse suas costas que estariam "doloridas". Assim que a garota entrou no banheiro, três mulheres a agarraram, forçando-a a se agachar. Apesar dos gritos desesperados da menina, ninguém veio em seu socorro. A pequena vila de Lalai, em Gana, parecia não se incomodar com o barulho. Sua avó, então, ordenou que parasse de gritar e aceitasse a circuncisão, do contrário, nunca poderia se casar e ser mãe.
Num instante, uma lâmina afiada cortou o clitóris da pequena Humu, deixando-a aterrorizada de dor. "Comecei a gritar desesperada enquanto o sangue corria por entre as minhas pernas ensopando minha roupa", relembra Humu.
Hoje, aos 13 anos, apesar da dor e do trauma, ela diz que foi bom ter sido circuncidada. "Todas as garotas da minha vila passaram por isso para conseguir um marido", diz a adolescente. Assana, mãe de Humu, vê a circuncisão feminina como inevitável: "É parte de nossa tradição. Não temos outra escolha a não ser seguir os passos de nossas antepassadas".
Mulheres da tribo de Lailai também sentem medo de serem discriminadas até depois de mortas. "Quando uma mulher não circuncidada morre, ninguém vai querer lavar seu corpo e prepará-lo para o funeral", explica Asana.
Apesar dos gritos desesperados da menina,
ninguém veio em seu socorro
À forte convicção que sustenta a circuncisão feminina, tem sua origem na religião. Asana, Humu e Alimatu estão entre as milhares de mulheres que erroneamente acreditam que tanto o islamismo como o Cristianismo exigem a circuncisão feminina. "Está escrito no Alcorão. Não temos escolha, só seguimos as instruções", afirma Asana. No entanto, a Bíblia e o Alcorão só falam de circuncisão masculina.
Por todas essas razões, Humu está convencida de que quando crescer e tiver suas próprias filhas, elas também serão circuncidadas. Nenhuma das mulheres - Asana, Humu e Alimatu - jamais receberam qualquer informação sobre os perigos relacionados à mutilação genital feminina.
Fonte: Revista Defesa da Fé
Escrito por: Júnior Sales
Transcrito por Missionária Ana Paula Oliveira Ndiaye - Senegal – África.
 

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